Sinagoga de 160 anos é destruída por incêndio criminoso nos EUA
- Terca-Feira, 13 Janeiro 2026
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O suspeito de provocar o incêndio criminoso na Sinagoga Beth Israel, em Jackson, EUA, no sábado (10), teria sorrido ao relatar o ato ao pai.Segundo uma declaração juramentada do FBI e um comunicado do Departamento de Justiça, o suspeito também teria descrito o local de culto como “satânico” ao confessar seus atos às autoridades.Com 160 anos de história, a sinagoga – a maior do Mississippi e a única em Jackson – já foi alvo de um atentado da Ku Klux Klan em 1967, em represália ao papel da congregação nas atividades pelos direitos civis.A informação é do Institute of Southern Jewish Life, que também mantém seu escritório no prédio.“Essa história nos lembra que ataques a casas de culto, seja qual for a causa, atingem o cerne da nossa vida moral compartilhada”, disse CJ Rhodes, um proeminente pastor batista negro em Jackson, em uma postagem no Facebook.“Isso não foi vandalismo aleatório – foi um ataque deliberado e direcionado à comunidade judaica”, disse Jonathan Greenblatt, CEO da Liga Antidifamação, em um comunicado.We are outraged by the arson attack that severely damaged Beth Israel Congregation, the largest synagogue in Mississippi. While no one was hurt, the synagogue was extensively damaged, several Torah scrolls were destroyed, and the congregation— the only synagogue in Jackson —… pic.twitter.com/CkPqLLFMeR— American Jewish Committee (@AJCGlobal) January 11, 2026“O fato de ter sido atacada novamente, em meio a uma onda de incidentes antissemitas nos EUA, é um lembrete claro: a violência antissemita está aumentando e exige condenação total e ação rápida de todos”, disse Greenblatt.A sinagoga continuará seus programas e cultos regulares durante o Shabat, o sábado judaico semanal, provavelmente em uma das igrejas locais que se aproximou.“Somos um povo resiliente”, disse Zach Shemper, presidente da Congregação Beth Israel, em um comunicado. “Com o apoio da nossa comunidade, vamos reconstruir.”Torá resistiu ao fogoUma Torá que sobreviveu ao Holocausto estava protegida por vidro e não sofreu danos no incêndio, informou o Mississipi Today. Cinco Torás localizadas no santuário estão sendo avaliadas quanto a possíveis danos causados pela fumaça.Já duas Torás da biblioteca – a área mais atingida – foram destruídas, segundo um representante da sinagoga.O santuário teve pisos, paredes e teto cobertos de fuligem, e será necessário substituir estofados e carpetes.Ataque na madrugadaStephen Spencer Pittman, morador de Madison, Mississippi, teria usado um machado para quebrar a janela da única sinagoga de Jackson antes do amanhecer. Em seguida, entrou no local, derramou gasolina e ateou fogo ao templo.De acordo com relatos, o suspeito de 19 anos teria ateado fogo ao próprio corpo durante o ataque, sofrendo queimaduras nos tornozelos, mãos e rosto.Ainda segundo as informações, Pittman deixou na sinagoga uma lanterna e um telefone celular.Antes e depois do suposto ataque, o suspeito manteve contato com o pai sobre suas intenções e ações.“Sinagoga de Satanás”Pittman teria ignorado os apelos para voltar para casa e afirmou que estava prestes a “dar um show”.Ao ser confrontado pelo pai em casa, ele teria relatado o crime rindo e acrescentado que “finalmente os pegou”.O pai de Pittman comunicou a confissão ao FBI, e as autoridades confirmaram a denúncia por meio de dados de GPS e mensagens de texto trocadas entre eles.Após ser preso, Pittman teria dito às autoridades, em depoimento, como realizou o incêndio criminoso no que ele chamou de “sinagoga de Satanás”.De acordo com o Departamento de Justiça, o incêndio causou danos significativos à sinagoga, deixando-a inoperante por tempo indeterminado.ReconstruçãoCongregantes e líderes se comprometeram a reconstruir a histórica sinagoga do Mississippi, que ficou gravemente danificada pelo incêndio.O incêndio devastou a Congregação pouco depois das 3h da manhã de sábado, segundo as autoridades. Nenhum fiel ficou ferido.Imagens mostravam os restos carbonizados do escritório administrativo e da biblioteca da sinagoga, onde várias Torás foram destruídas ou danificadas.O prefeito de Jackson, John Horhn, confirmou que uma pessoa foi detida após uma investigação que contou com a participação do FBI e da Força-Tarefa Conjunta contra o Terrorismo.“Atos de antissemitismo, racismo e ódio religioso são ataques a Jackson como um todo e serão tratados como atos de terror contra a segurança e a liberdade de culto dos moradores”, disse Horhn em um comunicado.Ele não revelou o nome do suspeito nem as acusações que enfrenta. Um porta-voz do FBI em Jackson afirmou que a equipe está “trabalhando com parceiros das forças de segurança nesta investigação”.









